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Mensagens

A ironia e hipocrisia do Novo Ateísmo

O Novo Ateísmo nasceu em 2006. Começo assim para se entender que é um fenómeno recente. Doze anos são tostões no que toca a discussões teológicas e sociais. Foi originalmente um murro na mesa, um grito de alerta contra o literalismo e fundamentalismo religioso. Este alerta tinha como objectivo maior a remoção da religião, se não na sua totalidade, pelo menos das esferas sociais e políticas, remetendo-a para o foro pessoal. Era portanto um ideal humanista e secular e como tal teria tido todo o meu apoio, tivesse-o eu conhecido nessa altura. Mas hoje, algures num dia chuvoso de novembro de 2018, é evidente para mim que o Novo Ateísmo está longe de ser um fenómeno ou um ideal humanista. É para explicar porquê que estou a escrever este texto. Não me vou alongar mais com a história do fenómeno, apenas descrevê-lo na sua forma actual. A história da sua génese e o impacto das suas maiores figuras fazia parte do plano para este post mas provou ser demasiado extenso e deixarei para uma próxim...

O Homem de Aço e o Espantalho

Adoro conversar. Conversar implica que ideias que tenho na minha cabeça passem para a tua e vice-versa. Durante esta troca ideias fracas morrem, outras, de força desconhecida nascem e as que já nasceram são confrontadas e ou enfraquecem ou ficam mais fortes. Este ciclo construiu o mundo que vês à tua volta. O bom e o mau. Felizmente o bom tende a ser melhorado e o mau a ser destruído, não fossem o bom e o mau ideias. Para se conseguir dialogar, discutir e até debater de modo a todos podermos aprender uns com os outros é necessário fazer algumas coisas que não vemos nos debates da assembleia da república nem nos programas desportivos. Infelizmente também não vejo muito no dia-a-dia. Mas eu tenho um truque tão bom que dava para escrever um livro de auto-ajuda. Não te esqueças de partilhar este post no Facebook com o famoso "Vale a pena ler!" porque é mesmo catita e tem um bónus no fim e tudo! Sempre que conversamos cometemos erros de raciocínio chamados falácias....

A Cândida e a bruxa

Estava sentado no café do costume, à hora do costume num dia normal. A televisão gigantesca pendurada na parede mostrava a imagem estática da box sintonizada num canal de uma estação rádio. Nem era uma estação decente mas talvez fosse esse mesmo o objectivo. Um chávena fria com um café quente chegou-me pelas mãos da Cândida, uma das empregadas. Sorri agradecendo e ela, como de costume, sorriu-me de volta despedindo-se antecipadamente com o habitual "Até amanhã, se Deus Nosso Senhor quiser". Há algo de maternal nos sorrisos que recebo da Cândida. Talvez por ter idade para ser minha mãe. Talvez pelo corte de cabelo, os lábios finos e as maçãs do rosto ossudas me lembrarem a minha avó. Seja o que for, há para mim algo de maternal que ela não partilha com o mundo que partilhamos naquele café. Se não é o sol que lhe bate nos olhos, são os colegas que não fazem nada de jeito e nos dias em que estes não lhe dão motivos para arrelias é o patronato ou as camionetas cheias de t...

O reconhecimento do outro

Estava a ver um combate de MMA. Os dois lutadores, ensanguentados e cansados, abraçaram-se no inicio do ultimo assalto num gesto de respeito e reconhecimento profundo. Este respeito e este reconhecimento não são raros no dia-a-dia em relação aos que nos são próximos. No entanto contrastam com a falta de reconhecimento e múltiplas formas de falta de respeito em relação aos que nos estão mais afastados. Embora este fenómeno seja conhecido entre grupos que são tão afastados que chegam a rivalizar, como é o caso de países e religiões, a distância não precisa de ser assim tão grande para que o reconhecimento e o respeito desapareçam. Basta que seja um vizinho, um colega de outro departamento ou alguém de outro clube de futebol. Este fenómeno dos ingroups e dos outgroups é conhecido em sociologia e psicologia e muito do que penso, leio e escrevo está de alguma forma ligado ao dito fenómeno. Sem o aprofundar, o ponto que é importante reter é que um ingroup tende a desumanizar os outgr...

A ingénua e incompetente ou só manipuladora Casa Branca.

Depois de uma conferência de imprensa onde declarou vitória nas eleições que acabou de perder, Donald Trump foi interpelado por Jim Acosta, um jornalista da CNN, sobre as investigações relativas à intromissão da Russia nas eleições que o levaram à cadeira mais quente do mundo. É importante notar que o assunto é relevante porque os Democratas, depois dos últimos resultados, têm agora amplos poderes para investigar. Antes disso tinha ainda interrogado o presidente sobre a "invasão" que se dirige aos EUA. Trump não quis responder à pergunta e uma auxiliar da Casa Branca tentou retirar o microfone a Acosta para que este não pudesse continuar e ele não permitiu. Vendo a insistência do jornalista, Trump decidiu atacá-lo e à CNN dizendo que a CNN devia ter vergonha de o ter nos quadros. Passadas algumas horas a Casa Branca declarou que o acesso de Jim Acosta tinha sido retirado por ele ter agredido a auxiliar da Casa Branca. Esta decisão teve imediata reacção de vários jo...

Quando um mosquito pousa nos teus testículos

Prometi brejeirice no Facebook e aqui estou para cumprir. Hoje também vou experimentar uma coisa nova para mim. Mais ainda, apenas a minha incomparável humildade evita que diga publicamente que esta novidade é não só pessoal mas provavelmente mundial, quiçá até da Charneca da Caparica! Vou tentar, sem rede e sem preparação, escrever um texto filosófico que, embora pequeno como sempre tento, tocará temas tão distintos quanto violência, guerra em geral e química em particular, mosquitos, testículos e também atribuição de autoria e os seus direitos. Trago assim a mim o pesado fardo de falar dos grandes temas da actualidade. O que me levou a considerar estes temas fracturantes foi um post de um amigo meu no Facebook que publico na íntegra abaixo. Foi só isto... mas "só isto" não é suficiente para as inúmeras questões que levanta, muitas delas centrais à condição humana no século XXI. Aviso desde já, mesmo correndo o perigo de perder leitores, que não vou falar da decisão d...

Uma Guerra Santa pela Lei Bíblica

Um legislador republicano nos Estados Unidos admitiu ter redigido e distribuído um manifesto que propõem a organização e execução de um plano para imposição de lei bíblica . O manifesto tem 14 pontos e imensos sub-pontos e inclui algumas preciosidades como o tempo para a guerra é decidido por Deus. Um dos pontos mais falados nos sites que denunciaram o manifesto é que a solução pacifica é submissão à dita lei. Caso não exista submissão a alternativa é, e cito, " kill all males ". Sim, leste bem. Em 2018 há um legislador norte-americano que usa o mesmo tipo de discurso tribal de há 2000 anos atrás o que não é de todo de admirar porque a justificação tem exactamente a mesma idade. Como se isto não fosse suficientemente assustador, Matthew Shea (Matt para os amigos) postou um vídeo no seu perfil de Facebook onde se defende, pelo que tenho lido com alguma razão, de que está a ser alvo de ataques políticos. No entanto perde essa razão quase de imediato quando justifica o man...